REFLEXÃO
“Face às oportunidades, quando se aposta na excelência, se tem gosto pelo risco e se é incapaz de aceitar viver acabrunhado, não se chora pelas insuficiências do Estado. Faz-se.”
José Manuel Fernandes
A dupla proposta da sessão 6 põe em evidência o fosso que existe entre as intenções avaliativas da RBE e as práticas de avaliação mais avançadas da escola portuguesa, conduzidas pela IGE. A tarefa 1 identifica o potencial de avaliação que os modelos de avaliação externa da IGE e de auto-avaliação das BE permitem; a tarefa 2 conduz-nos à inevitável e incontornável conclusão de que a IGE e as Direcções Escolares, pelo menos no que diz respeito às BEs, não têm identificado os resultados da acção da BE e, portanto, não reconhecem o impacto que esta estrutura técnico-pedagógica tem nas aprendizagens, no desenvolvimento do currículo, na promoção da leitura e das literacias.
Como é possível, no século XXI, depois de uma fortíssima aposta e investimento em recursos materiais e humanos na BEs, só conseguir ver a BE como parte de um edifício, com melhores ou piores acessibilidades? Como é possível ver a BE pelos ligeiros contributos que dará para a construção da cidadania ou como estrutura valorizadora dos saberes e das aprendizagens? Como é possível ver a BE apenas (ou quase) como uma forma de evidenciar a capacidade de liderança da Direcção Executiva e da visão estratégica da escola?
Em nenhum dos relatórios analisados (em que poderemos incluir os seleccionados pelos colegas) foi possível perceber que a avaliação da IGE considerasse a BE como um todo dinâmico ao serviço da escola e como um pólo congregador das aprendizagens, das diferentes áreas do saber, da leitura e das literacias e do enriquecimento cultural, artístico e cívico dos alunos.
Será, portanto, sintomático que esta avaliação apresente estes resultados. Não serão eles o somatório da análise das evidências recolhidas (por poucas que fossem) pelas BE; são, certamente, ainda a herança de uma cultura de menosprezo pelas BEs ou de ignorância sobre os novos desafios que se têm colocado às BEs.
Por mais dura que pareça a crítica aqui tecida, ela não é mais do que o fruto da indignação que a análise dos relatórios provocou, sendo que o que aí também se julga é o trabalho do professor responsável pela BE e da sua equipa, ficando todo o seu empenho, a sua dedicação, criatividade, dinamismo, atitude… no plano do não visto e do não-dito.
Urge a implementação do Modelo de Auto-avaliação das BEs, pois só uma estrutura como a RBE poderá, de forma estruturada e sustentada, chamar a atenção dos responsáveis pela avaliação educativa, reclamar e exigir o reconhecimento que é devido às BEs, não só pelo trabalho que estas irão realizar em cada ano ou ciclo avaliativo, mas por todo o trabalho realizado até agora.Clementina Moreira dos Santos
Dezembro de 2009
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